Grey’s Anatomy: É um lindo dia para escolher carreiras

Por Maria Carolina Soares (mcarolinasoares@uol.com.br)

Não é segredo para ninguém que seriados de televisão fazem um enorme sucesso entre os jovens atualmente. E, dependendo do tema, eles podem influenciá-los em níveis mais profundos, como na escolha da carreira. É o que ocorre com Grey’s Anatomy, série estadunidense criada por Shonda Rhimes e protagonizada por Ellen Pompeo. O enredo conta a história de cinco internos, estudantes de medicina recém-formados do primeiro ano do treinamento cirúrgico, que acabam de iniciar seu trabalho no Seattle Grace Hospital, com foco em Meredith Grey, personagem de Pompeo.

À esquerda, Meredith Grey analisa o caso de vítimas de um acidente de montanha russa no episódio 300 da série. Imagem: Reprodução

O próprio nome da série já remete ao estudo da medicina: ele faz referência ao livro Gray’s Anatomy of the Human Body, muito usado nas universidades americanas. Porém, não para por aí. Para agregar maior veracidade aos casos clínicos retratados nas cenas, os escritores contam com uma equipe de consultores, que são, na realidade, médicos contratados para deixar a série o mais verossímil possível.

Mesmo assim, a ficção supera a realidade e, muitas vezes, os personagens realizam algumas manobras mirabolantes do ponto de vista técnico. A estudante de medicina Lara Monteiro, que assiste à série desde antes de entrar para o curso, afirma: “De uma maneira geral, muitas coisas são fidedignas, porém alguns erros são grotescos, principalmente de coisas básicas na área de medicina, como eletrocardiograma e quando chocar (usar o desfibrilador) o paciente ou não. A série mostra inovações na ciência mas erra em coisas simples.”

 

Imagem: Reprodução

A estudante de enfermagem Lidia Gomes diz que o seriado a ajudou a decidir pelo curso na área da saúde, pois ela tem interesse em pediatria e ver os personagens salvando crianças a inspirou. O mesmo ocorreu com Monique Santos, atualmente no oitavo ano do ensino fundamental. “Os casos me motivaram muito. Eu acho que deve ser bem legal você sentir que está segurando uma vida em suas mãos ou até poder resolver algo difícil ou raro,” ela explica.

Apesar disso, alguns professores da área de biológicas não consideram que seja pedagógica sozinha. “Eu acho que, por si só, a série não é educativa. Ela tem elementos que podem ser trabalhados, mas, se o aluno eventualmente assiste sozinho e não está sensível a essas coisas, ele não consegue perceber as partes interessantes que podem ser extraídas,” diz a professora de ensino fundamental e médio Fernanda Santos.

Ela conta que usa exemplos da série em sala de aula para criar uma aproximação, pois isso estabelece um vínculo com o aluno e o estimula a prestar atenção à aula. “Por exemplo, quando eu estava ensinando método científico, uma aluna veio me perguntar de um episódio, em que a protagonista está participando de um experimento contra Alzheimer e a distribuição dos medicamentos é aleatória. Nem os médicos sabiam quem ia receber o placebo ou a medicação até o momento em que abrissem o envelope. Ela queria que a paciente recebesse a medicação, então, ela viu o envelope e manipulou isso. Eu usei esse exemplo para mostrar que no método científico existem coisas que são aleatórias e esse caráter não pode ser prejudicado, porque compromete toda a confiabilidade do método.”

Imagem: Reprodução

Conhecida pelos casos raros e, às vezes, absurdos, como transplantes inovadores e tumores gigantes, Grey’s Anatomy é a série mais assistida da Netflix brasileira na atualidade. Além disso, possui uma audiência de 9,6 milhões de espectadores por episódio, de acordo com o site AdoroCinema. Apesar de ser discutível o quão educacional o seriado pode vir a ser, é inegável a grande influência que ela tem nos jovens telespectadores, podendo incentivar no ingresso em carreiras na área de saúde em alguns casos.


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