Uma breve história de Hawking

Por Maria Clara Rossini (mariaclararossini@usp.br)

Stephen Hawking. É muito provável que você já tenha ouvido falar esse nome. No jornal, na escola, faculdade, em filmes, séries, o que for. Alguns apenas acham o nome familiar, outros sabem que ele era um cientista, enquanto outros já sabem qual era sua área de estudo e até um pouco sobre suas teorias. Não importa como ou o quanto você conhecia ele, o simples fato de fazer parte do seu imaginário já é relevante.

Imagem: Reprodução

Não estou aqui para falar sobre sua contribuição direta para a física e astronomia, por mais significantes que sejam. Teorias sobre buracos negros, emissão de radiação e singularidade terão de ficar de lado por um momento. É a sua importância para a divulgação científica para o público geral que irei abordar.

Muito provavelmente um indivíduo leigo pouco se interessaria por teorias abstratas, equações complexas ou questões que não afetem sua vida diretamente. Muitas vezes uma matéria científica só chama a atenção do leitor quando está relacionada à medicina – às vezes meio ambiente – e assuntos que não se distanciam muito do seu cotidiano. Não é nada intuitivo pensar sobre eventos que acontecem a milhões de anos-luz de nós ou se passaram há bilhões de anos.

Ainda assim, um livro que explica temas relacionados à cosmologia e até matemática complexa se tornou um best-seller em todo o mundo. “Uma Breve História do Tempo” é um livro que aborda assuntos extremamente sofisticados de forma simples, basta que o leitor faça um pequeno esforço para compreender. Um livro que eu li aos 16 anos e acendeu uma faísca que me fez interessar pelo jornalismo científico.

Aproximar temas distantes de pessoas não especializadas é o que procura o jornalismo científico. E também foi o que Hawking tentou e conseguiu fazer. Não há motivo para que determinado conhecimento permaneça restrito e não possa atingir o público comum, mesmo que seja de maneira superficial e longe de conter toda a sua complexidade.

Por outro lado, não era necessário que qualquer pessoa conhecesse suas teorias ou se aprofundasse em seus textos para ter ouvido falar do físico. Cada declaração sua se tornava notícia de jornal. Uma opinião, mesmo que simples, sobre qualquer assunto, era desculpa para que o leitor de um jornal diário entrasse em contato com um pouquinho de ciência. Esse mínimo que seja já contribui para que o tema não seja visto como algo inatingível e ainda mais distante.

Trágica coincidência do destino, o físico faleceu na data de nascimento de Albert Einstein. Stephen se tornou o cientista mais conhecido desde o pai da teoria da relatividade. Infelizmente, muitos outros pesquisadores e estudiosos merecem igual reconhecimento do público mas acabam por não conseguir tal status. Hawking adquiriu esse título em grande parte devido a procura em transmitir para todos a sua fascinação pelo universo.

Uma grande perda. Apesar de não mais produzir tanto nos últimos anos quando comparado com a época de suas grandes publicações, ele ainda realizava palestras relevantes e inspirava a muitos, acendendo pequenas faíscas dentro de cada um. Querendo ou não, Stephen Hawking é e continuará sendo um símbolo. Esse símbolo representa a ponte entre o ser humano comum e o conhecimento escondido há galáxias de distância de nós.


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