Quando o corpo fala: falta de vitaminas

Aspectos físicos podem revelar seu estado de saúde

Por Letícia Vieira Santos (leticiavs@usp.br)
Imagem: Maria Clara Rossini / Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

A aparência do corpo é um importante fator indicativo da nossa saúde, já que a pele, as unhas e o cabelo são bastante sensíveis à falta de nutrientes. Tatiana Gabbi, membro das Sociedades Brasileiras de Dermatologia (SBD) e Cirurgia Dermatológica (SBCD), afirma que as alterações nas unhas e nos cabelos são inespecíficas, ou seja, o fato das unhas desfolharem, ficarem fracas e quebradiças e dos cabelos se tornarem ralos e sem brilho ou caírem com frequência podem indicar várias carências. Estão entre elas a das vitaminas D e E, a de minerais ou até mesmo déficit de proteínas e calorias. O auxílio médico é, portanto, necessário caso o quadro seja persistente para diagnosticar a causa dessas alterações e indicar o tratamento adequado.  

Ainda segundo Tatiana, no caso da pele, a falta das vitaminas A, B e C gera doenças específicas, com casos clínicos característicos, enquanto o déficit das vitaminas D e E é responsável por aumentar o risco de desenvolvimento de câncer e envelhecimento da pele. A carência de vitamina A desencadeia nesse órgão uma doença chamada frinoderma, que provoca aspereza, descoramento, descamação e ceratose folicular, visualmente semelhante à acne. Já a carência de vitaminas do complexo B, especialmente a B3, pode resultar na pelagra. Essa doença provoca dermatite, além de vermelhidão e descamação da pele. O déficit de vitamina C, por sua vez, causa escorbuto, enfermidade conhecida por gerar hemorragias subcutâneas e lesões na mucosa oral.

 

As causas

São vários os motivos pelos quais esses nutrientes podem estar escassos no organismo. De acordo com a nutricionista Paola Altheia, isso pode ocorrer não só em decorrência da ingestão de nutrientes pouco variados – a chamada monotonia alimentar – ou de uma dieta muito restritiva, mas também por conta de problemas de absorção, alterações metabólicas e até mesmo o refinamento industrial dos alimentos ou o esgotamento do solo onde estes foram cultivados.

Segundo Paola, ainda há casos em que os alimentos não são suficientes e é necessária a suplementação. Esse pode ser o caso de pessoas que restringem a alimentação por questões religiosas ou éticas, indivíduos que possuem problemas gastrointestinais ou realizaram cirurgia bariátrica e possuem dificuldade de absorção de nutrientes, pessoas que se expõem pouco ao sol e possuem falta de vitamina D ou gestantes, que necessitam de suplementação de ácido fólico.

A nutricionista ainda afirma que as condições de armazenamento e preparo dos alimentos também podem influenciar na perda de nutrientes. Podem ocorrer prejuízos nesse sentido quando os alimentos oxidam por exposição prolongada ao ambiente, quando sofrem variações bruscas de temperatura ou quando são cozidos demais. Técnicas como aproveitar a água da cocção ou preparar legumes no vapor são formas de prevenir o problema.

 

Auxílio médico
É importante também ressaltar que a carência de vitaminas pode gerar quadros muito mais complicados, levando até à morte. Essas consequências mais severas costumam ser resultado de uma desnutrição generalizada, o chamado marasmo, que leva à perda de gordura e de massa muscular, mas também podem surgir da carência de nutrientes específicos. Esse é o caso da falta de vitamina A, que diminui a capacidade do corpo para combater infecções, deixando principalmente as crianças muito vulneráveis. As alterações na aparência são, portanto, apenas um possível indício de enfermidades, mas não podem ser ignoradas. Segundo Paola, a nutrição diária deve garantir boa capacidade cognitiva, mucosas intactas, boa imunidade e unhas, pele e cabelos com bom aspecto. Qualquer alteração percebida merece ser investigada por um médico.


Tags: , , , , , , , , , , , , , ,