Por que sentimos mais fome no frio?

Por: Thaís Navarro (thaisnavarro@usp.br)
Ilustração: Gabriela Bonin

Você provavelmente já deve ter notado que sente mais fome no frio, ou ouviu alguém se perguntando porque isso acontece. Será que isso é um mito e é apenas psicológico? Ou será que existe base científica e fisiológica para que isso aconteça? Andrea Romero, professora de nutrição e gastronomia da Universidade Prebisteriana Mackenzie, e Fernanda Soares, nutricionista, ajudam a esclarecer as dúvidas sobre esse assunto e ressaltam cuidados com a nutrição nessa época do ano.

Afinal: isso é verdade ou um mito?

A sensação de maior fome durante o inverno e dias frios tem base fisiológica e está relacionada com a regulação dos nossos sistemas. “Precisamos de maiores quantidades de energia para manter nossa temperatura corporal. Com a diminuição da temperatura [externa], nosso corpo precisa manter os órgãos internos aquecidos, então existe um aumento do gasto energético. Se mantivéssemos o mesmo consumo de calorias do que no verão, nossa tendência seria de perda de peso”, explica a professora Andrea.

É a partir de então que sentimos a sensação de fome: “isso não é interessante para o organismo, então ele envia sinais para o sistema nervoso central para o aumento da fome e do apetite para compensação do aumento do gasto energético”. Andrea acrescenta que “nossa predileção para alimentos quentes também aumenta, o que ajuda na regulação da temperatura”. Portanto, podemos concluir que essa fome não é um mito, como ressalta Fernanda: “gastando mais energia, consequentemente sentimos mais fome”.

Mas há um pequeno fator psicológico

É certo que fisiologicamente sentimos mais fome naqueles dias mais gelados. Porém, há outro fator, de cunho mais psicológico, que pode elevar nosso consumo: “pode existir uma necessidade de aconchego, de ficar mais próximo de pessoas queridas, o que poderia levar ao consumo de alimentos chamados confort food, que são alimentos que confortam”, diz Andrea Romero. Alguns exemplos que a professora cita são bolos, bolinho de chuva, pães e “coisas que nossas avós faziam com carinho”.

O maior consumo pode ser prejudicial?

Qualquer consumo em excesso pode ser prejudicial, em qualquer época do ano. Porém, ambas as professoras ressaltam que a escolha de certos alimentos pode trazer resultados mais indesejáveis. A nutricionista Fernanda atenta para o fato de que, se o indivíduo escolher muitos alimentos de alto valor energético para se alimentar, o consumo pode ser prejudicial. Andrea ressalta essa opinião, lembrando das confort food: “como estes alimentos com maior densidade energética e altamente palatáveis são ricos em gordura e carboidratos, o consumo exagerado poderia levar ao ganho de peso nessa época do ano”.

Cuidados especiais

Devemos buscar ter uma alimentação saudável independente da época do ano, mas há algumas coisas a que se deve prestar mais atenção. A professora Andrea lembra que “o consumo de frutas, verduras e legumes, que são ricos em oxidantes e também em vitaminas e minerais, é extremamente importante durante todo o ano. Como as frutas, por exemplo, são alimentos mais refrescantes, podemos ter a tendência de diminuir seu consumo nessa época do ano. Portanto, devemos ter atenção e manter o consumo.” Assim, “devem sempre ser observados o consumo de vitaminas e minerais, que são responsáveis pela pele, unhas e cabelos”.

Então, não há nada de errado em sentir mais fome no frio — existe base científica para isso, mesmo levando em consideração um pequeno fator psicológico. E é importante, claro, escolher alimentos com um bom valor energético e manter uma alimentação balanceada e cuidados que seriam mantidos em qualquer época do ano.


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