VEREDAS : UMA NOVA PERSPECTIVA SOBRE O TURISMO ESPACIAL

Por: Thais Navarro (thaisnavarro@usp.br)
Palestrantes reúnem-se na Biblioteca Paulistana para discutir o futuro do turismo espacial (Por: Thaís Navarro)

“Ground Control to Major Tom (ten, nine, eight, seven, six)

Commencing countdown, engines on (five, four, three)

Check ignition and may God’s love be with you (two, one, liftoff)!”

 

“Space Oddity”, de David Bowie, é uma das músicas que tocou antes que a 22ª edição do Veredas começasse. Nela, o artista conta a história do grande Major Tom e sua viagem para o espaço a partir do momento de sua decolagem. Desde sempre o homem teve interesse por aquilo que se encontra fora de seu mundo, da pequena Terra, e vêm desenvolvendo tecnologias das mais variadas para desvendar e entender outros planetas, sistemas, estrelas e galáxias. Até então, a saída do planeta Terra se restringe a astronautas que vão a serviço: mas e se viajar para o cosmos se tornasse algo mais acessível e comum aos demais terráqueos? Esse é o chamado Turismo Espacial, que foi tema da 22ª edição do Veredas, evento produzido anualmente pela Agência de Comunicações ECA Jr da Escola de Comunicações e Artes da USP.

Mesa de conversa na Biblioteca Brasiliana

O evento contou com a participação de grandes nomes: Annibal Hetem, doutor em astronomia pela USP, professor na UFABC e especialista em propulsão aeroespacial; Cristian Reis, estudante de engenharia química e idealizador do projeto “Ciência e Astronomia”; Lucas Fonseca, diretor executivo da Airvantis Engineering  e que possui uma vasta experiência na área da astronomia na Europa; e Marcos Palhares, diretor e sócio da “Agência Marcos Pontes”, que planeja realizar viagens espaciais turísticas; e representante da Virgin Galactic no Brasil. A mesa de conversas foi mediada pela professora Marisa Csordas, que é docente em faculdades de Turismo e Hotelaria e também trabalha nessa área, além de ter graduação em Turismo e uma formação acadêmica até o doutorado em Ciência Política.

Os participantes aproveitaram a oportunidade para contar um pouco de sua trajetória na área da astronomia e compartilhar experiências impressionantes. Marcos Palhares, por exemplo, contou brevemente seu percurso e visitas a núcleos espaciais como o Kennedy Space Center, e também sobre como conheceu o astronauta brasileiro Marcos Pontes e como surgiu a agência que leva o nome de Pontes. Em entrevista, quando questionado sobre como surgiu essa paixão pela astronomia, Marcos conta uma história bem interessante: “Eu ganhei um quadro quando tinha 9 anos de idade que foi pro meu quarto e ele tinha quase minha altura, era bem grandão, ocupava bastante espaço. E era a foto de um astronauta flutuando no espaço com a terra ao fundo. E eu dormi muitas noites olhando para aquele quadro. Aquele quadro mexeu muito comigo, me gravou, e aí eu decidi que queria ser astronauta”. Em seu livro recentemente lançado “O Céu não é o Limite”, ele descreve o caminho de sua formação e suas aventuras.

Já Cristian Reis discorreu sobre seu projeto “Ciência e Astronomia” que tem um canal no YouTube no qual ele trabalha com a divulgação científica de maneira bem didática. Quando questionado sobre o ensino da ciência nas escolas, Cristian diz que “o pior problema relacionado ao ensino da ciência no Brasil é a capacitação de professores, que infelizmente não se tem (…). Deveria haver uma capacitação sobre as dinâmicas voltadas à astronomia e diversas outras áreas do conhecimento.” Ele defende, ainda, que o ensino prático da astronomia pode estimular o gosto pelo conhecimento: “Como é que se faz o lançamento de um foguete? Você vai ter que calcular a órbita. Eu consigo fazer isso pegando uma garrafa PET, lançando bicarbonato e vinagre e aí eu tenho um lançamento. Então, deveria ter o estímulo daquela coisa mais palpável da experiência.”

Lucas Fonseca contou que seu sonho sempre foi construir naves espaciais. Ele cursou Engenharia Mecânica na USP e trabalhou em uma empresa farmacêutica: depois, decidiu sair desse emprego e ir atrás do seu sonho. Fez diversos cursos relacionados à engenharia aeroespacial e contou sobre duas missões que participa: a Rosetta, promovida pela Agência Espacial Alemã e que lançou uma sonda espacial para orbitar um cometa; e a mais recente Galathea, que tem como objetivo lançar uma sonda brasileira para a Lua.

Annibal Hetem, por sua vez, contou sobre o curso que leciona e sobre algumas dificuldades para a consolidação do turismo espacial, como a sujeição, no espaço, velocidades e energias altíssimas.  

E a imersão espacial não para por aí

Após o fascinante debate promovido na Biblioteca Brasiliana, houve uma série de atividades voltadas a entreter os participantes e instigar ainda mais sua curiosidade pelo conhecimento da astronomia. No Museu de Arte Contemporânea da ECA, várias dinâmicas interativas estavam à disposição dos espectadores.

Planetário promove imersão única e total aos participantes (por: Thaís Navarro)

A iniciativa “Projeto Móbile” proporcionou uma experiência única em um grande planetário inflável. Os espectadores podiam ver o céu esplendorosamente estrelado e outros elementos do nosso gigantesco universo. Além disso, a experiência visual foi acompanhada de uma explicação didática. O projeto “Telescópios na Escola”, por sua vez, apresentou aos participantes seu admirável projeto, o qual tem o objetivo de proporcionar o conhecimento da astronomia através da observação de imagens telescópicas em tempo real. O público podia, ainda, entrar em uma imersão através da Realidade Virtual (VR). A empresa Beenoculus disponibilizou aos participantes óculos nos quais o indivíduo podia sentir-se andando sobre Marte, como se de fato estivesse no planeta vermelho.

Para você, que tem o sonho de ver nosso querido planeta azul e muitos outros de lá do espaço, saiba que seu sonho não é impossível. Há muita gente envolvida na realização desse sonho e o Turismo Espacial está mais próximo e acessível do que imaginamos, como o evento demonstrou com grande maestria.