Transtornos de Ansiedade: a agonia por trás do trivial

Síndrome do pânico, fobia social e estresse pós-traumático são apenas alguns dos transtornos de ansiedade quem afetam um terço da população mundial

Mariana Mallet (marimcp97@gmail.com)

Quem nunca sentiu o coração acelerar antes de uma situação muito esperada? Ou aquele nervosismo repentino, as mãos suando antes de um compromisso importante? É absolutamente normal sentir-se ansioso ao se encontrar em uma circunstância fora do habitual. A ansiedade e o medo são sentimentos humanos e entram em ação sempre quando nos deparamos com condições que acreditamos serem ameaçadoras. Entretanto, há uma linha tênue entre o considerado normal e o transtorno mental. A partir do momento em que pequenos detalhes e aspectos da vida de um indivíduo começam a provocar-lhe esses sentimentos, algo está errado. Os transtornos de ansiedade se diferenciam do medo ou da ansiedade rotineiros por serem excessivos ou persistirem com uma frequência alta.

Essas disfunções mentais atingem grande parte da sociedade moderna. Segundo pesquisa de 2014 divulgada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), 33% da população mundial sofre com ansiedade. Entre as cidades com maior índice de vítimas da doença, a capital paulista liderou o ranking.  Em São Paulo, 29,6% dos moradores da região metropolitana afirmam apresentar algum dos transtornos.

Foto: Mariana Mallet
Foto: Mariana Mallet

Segundo Fabíola Luciano, psicóloga pós-graduada pela Universidade de São Paulo, os distúrbios de ansiedade possuem as mais variadas causas. Biologicamente, muitos cientistas acreditam que essas disfunções ocorrem devido alterações dos neurotransmissores que interferem na ansiedade, sendo os principais a serotonina, noradrenalina e o ácido gama-aminobutírico. Além disso, a psicóloga também ressalta que existe grande chance de essas disfunções estarem ligadas a uma carga genética.

Em outro aspecto, os diferentes tipos de transtornos de ansiedade possuem sintomas e causas particulares. Entre os mais comuns, estão: Síndrome do Pânico, Fobias Simples, Fobia Social, Transtorno de Ansiedade Generalizada e Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

Síndrome do Pânico

A Síndrome do Pânico é representada pela ocorrência de inesperadas crises de pânico. Os ataques ocorrem repentinamente, começando de maneira leve e aumentando até atingir um pico de ansiedade e pânico.  A frequência das crises varia de pessoa para pessoa, assim como suas durações, geralmente prolongando-se por alguns minutos. Esse transtorno torna-se extremamente prejudicial para a vida do paciente, que vive com medo e tentando se conter, uma vez que não é possível prever quando acontecerá o próximo ataque.

Segundo Dra. Fabíola, as crises de pânico apresentam os seguintes sintomas: falta de ar, tontura, náuseas, boca seca, ondas de calor ou frio, taquicardia (batimentos cardíacos acelerados), dor ou desconforto no peito, tremores, sudorese, embaçamento da visão, sensação de irrealidade. Geralmente, durante as crises, o indivíduo possui pensamentos catastróficos, como de que irá morrer ou de que está ficando louco. A psicóloga ainda afirma que a ansiedade, por si só, não leva à morte. Entretanto, a sensação angustiante a qual o paciente fica exposto durante os picos das crises pode levar ao suicídio ou a problemas cardíacos.

Fobia Simples

A Fobia Simples configura-se pelo medo irracional em relação a algum objeto, animal ou situação específica. Na presença do estímulo fóbico, a pessoa apresenta uma forte reação de ansiedade, podendo chegar a ter um ataque de pânico. Entre as mais comuns estão a entomofobia (medo de insetos), a acrofobia (medo de altura), a claustrofobia (pânico em estar em lugares fechados) e a hematofobia (aversão à sangue).

Fobia Social

A fobia social é caracterizada quando o indivíduo sente-se ansioso perante situações sociais. Nesse caso, o paciente geralmente teme o que as pessoas irão pensar dele e fica inseguro quanto ao próprio desempenho social. O que diferencia o transtorno de Fobia Social de timidez é o grau de intensidade da ansiedade, uma vez que o primeiro pode causar prejuízos para a vida do afetado. Entre os principais sintomas estão: taquicardia, falta de ar, tontura, suor, gaguejar, sentir vontade de ir ao banheiro.

De acordo com a psicóloga, quando o Transtorno Social não é tratado, este pode chegar um ponto generalizado. Uma vez atingido este estado, o indivíduo passa a ter fobia de toda relação social, privando-se de contato com outros seres humanos.

Transtorno de Ansiedade Generalizada

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) ocorre quando um indivíduo sente-se extremamente ansioso ao lidar com todos os tipos de situações em sua vida. Segundo Dra. Fabíola, a ansiedade é um sentimento ligado ao instinto de sobrevivência, o qual prepara o nosso corpo para uma situação de risco. Porém, quando ele começa a gerar essa emoção em uma situação que não oferece perigo, pode indicar a presença de TAG.

“Quem tem Transtorno de Ansiedade Generalizada tem muitas dificuldades, vê a vida de maneira muito mais tensa. A pessoa vive constantemente estressada e enxergando as situações de maneira muito pior do que realmente são”, explica a doutora.

Entre os principais sintomas da doença estão os tremores, sudorese, hipersensibilidade a situações externas, boca seca, falta de ar, impaciência, dificuldades de concentração e de memorização. A psicóloga afirma que o paciente possui uma ânsia em resolver o que, futuramente, pode dar errado. Este tipo de transtorno está, muitas vezes, ligado à depressão, uma vez que o indivíduo enxerga uma realidade distorcida.

Foto: Mariana Mallet
Foto: Mariana Mallet

Transtorno de Estresse Pós-Traumático

Este transtorno manifesta-se quando uma pessoa passa por algum trauma e sente um medo recorrente de que este ocorra novamente. Normalmente, a vítima desse abalo sente-se ansiosa por um tempo, porém os sintomas costumam desaparecer dentro de alguns meses sem maiores consequências. Assim, o Estresse Pós-Traumático caracteriza-se quando os sintomas persistem ou reaparecem depois de algum tempo, fazendo com que o paciente sinta-se ansioso com a expectativa de reviver o trauma.

Tratamentos

Para Dra. Fabíola Luciano, o ideal é procurar um especialista da área para ajudar a reverter o quadro. Segundo a psicóloga, é necessário que haja um acompanhamento terapêutico associado a medicamentos para que a pessoa possa descobrir a causa do transtorno e, ao mesmo tempo, diminuir os sintomas.

O diagnóstico deve ser feito por um profissional para que, posteriormente, este possa indicar um tratamento. O objetivo deste é minimizar os sintomas, devolver a qualidade de vida ao paciente e ajudá-lo a conviver de maneira aceitável com o transtorno.


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