Dirigíveis: um sonho que supera sua época

Você já viu um dirigível por aí?

por Laís Ribeiro (la.ribeiro97@gmail.com)

Os dirigíveis não são nada comuns no dia a dia das pessoas. Na verdade, o transporte por meio de dirigíveis entrou em desuso em 1937, devido a um grande incêndio causado pelo acidente da aeronave Hindenburg. Naquele tempo, esses “balões” gigantes eram preenchidos com gás hidrogênio, que é altamente inflamável.

O desastre do Hindenburg, foto tirada na base aeronaval de Lakehurst, Nova Jersey. Autor desconhecido. Imagem: Airships.net
O desastre do Hindenburg, foto tirada na base aeronaval de Lakehurst, Nova Jersey. Autor desconhecido. Imagem: Airships.net

Mesmo assim, você provavelmente já viu ou leu alguma coisa sobre dirigíveis, ou zeppelins, em filmes e livros de ficção científica. No filme A Bússola de Ouro, a jovem protagonista Lyra viaja tanto em um grande e luxuoso dirigível como em um pequeno aeróstato, composto por dois balões e um cesto; na popular animação Up! Altas Aventuras, o antagonista é um famoso explorador que foi para a América do Sul em seu zeppelin, o “Espírito de Aventura”. Essas máquinas voadoras também apareceram em vários outros filmes, como O Aviador, 007, Indiana Jones e o nacional aclamado pela crítica Lisbela e o Prisioneiro.

“Um dia, eu ouvi dizer que um zeppelin ia passar por lá... Foi um alvoroço.” – Leléu, personagem de Selton Mello em Lisbela e o Prisioneiro. Fonte: Reprodução
“Um dia, eu ouvi dizer que um zeppelin ia passar por lá… Foi um alvoroço.” – Leléu, personagem de Selton Mello em Lisbela e o Prisioneiro. Imagem: Reprodução

Afinal, o que é um dirigível? E para que serve?

Dirigíveis são aeróstatos, nome que se dá a aeronaves mais leves do que o ar. A diferença entre essas aeronaves e balões é que, como o próprio nome diz, elas podem ser controladas (dirigidas) por alguém e possuem algum tipo de motor. O termo “zeppelin”, usado como sinônimo, é na verdade o nome de uma marca alemã produtora de dirigíveis que se tornou genérica, assim como a palavra “gilete”, derivada da marca Gillette, é usada para se referir a lâminas de barbear em geral.

Existem três tipos de dirigíveis, os rígidos, semirrígidos e não rígidos, sendo esses últimos conhecidos também como “blimps”. Essas denominações diferenciam os veículos quanto à estrutura: os rígidos possuem um esqueleto de metal, os não rígidos são compostos apenas do envelope (a “pele” do dirigível) e os semirrígidos são um meio termo. Quanto mais armações o aeróstato possuir, menos ele depende da pressão interna para manter sua forma – os rígidos são completamente independentes.

Esquema exemplificando os três tipos de estruturas utilizadas em dirigíveis. Imagem da internet
Esquema exemplificando os três tipos de estruturas utilizadas em dirigíveis. Imagem da internet

Em seu auge, os dirigíveis eram veículos extremamente suntuosos, que proporcionavam grande conforto a seus passageiros. Numa época em que os aviões não eram tecnicamente avançados o bastante, os zeppelins eram o meio de transporte mais confiável (e caro!) para se viajar da América à Europa e vice-versa. No Brasil, as aeronaves foram ativas durante o período entre 1930 e 1937.

A imagem da esquerda mostra a porcelana utilizada no Graf Zeppelin, enquanto, à direita, temos a sala de jantar do Hindenburg. As duas são exemplos do luxo disponível aos passageiros dos dirigíveis. Imagens: Blog Cultura Aeronáutica e Airships.net
A imagem da esquerda mostra a porcelana utilizada no Graf Zeppelin, enquanto, à direita, temos a sala de jantar do Hindenburg. As duas são exemplos do luxo disponível aos passageiros dos dirigíveis. Imagens: Blog Cultura Aeronáutica e Airships.net

Os dirigíveis também foram usados pelos alemães, na Primeira Guerra Mundial, para bombardear o território britânico, mas por pouco tempo. O gás hidrogênio deixava os balões muito suscetíveis a explosões, portanto, logo que o exército britânico descobriu como derrubar as aeronaves, sua utilização foi descartada.

E por que não usamos dirigíveis hoje?

Na verdade, usamos sim: para publicidade e cobertura de eventos, em especial os esportivos. Os dirigíveis modernos são preenchidos com gás hélio, que não é inflamável, ao invés de hidrogênio, eliminando-se o risco de explosões. Mas o que realmente queremos saber é se podemos usar esses gigantes voadores para viajar – você já imaginou como seria flutuar suavemente sobre o Grand Canyon ou a Foz do Iguaçu, com uma vista espetacular diretamente de cima da paisagem?

A resposta pode variar: por um lado, o custo da produção de uma aeronave das dimensões dos zeppelins, da construção de hangares grandes o bastante para comportá-los e da contenção de gás hélio é alto, e o retorno financeiro de voos comerciais não é imediato, principalmente porque o hélio tem muito menos força para carregar peso do que o hidrogênio. A velocidade também é baixa, se comparada a aviões e outros veículos, e uma aeronave mais leve que o ar, como são os dirigíveis, enfrenta muitos problemas em condições climáticas ruins, como chuvas ou ventos fortes.

Mas a solução existe, e ela se chama “aeronaves híbridas”! Ao invés de dependerem somente do hélio para erguer peso, elas contam com estruturação adicional, como, por exemplo, pequenas asas parecidas às de um avião ou algo correspondente. Elas não necessitam de pistas de decolagem e pouso, e são ecologicamente menos degradantes que as aeronaves atualmente utilizadas. E, se estão pensando em utilizá-las para transporte de carga (você já viu essa iniciativa da BBC?), por que não, algum dia, para a realização de voos comerciais?

Infelizmente, é provável que não veremos o retorno dos zeppelins tão cedo, ao menos não como gostaríamos. Por outro lado, talvez nossos descendentes sejam testemunhas de como essas máquinas do passado se tornarão mais uma vez figuras palpáveis no mundo dos veículos de passeio, esperançosamente, com as novas tecnologias, disponíveis para usufruto de todas as classes sociais.


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